O BioInsecta — Biomonitoramento de insetos em Florestas Tropicais — é um megaprojeto inovador de pesquisa para conhecer e monitorar a diversidade de insetos da Floresta Amazônica, e revelar como as espécies se distribuem na floresta desde o solo até a copa das árvores, o dossel da floresta, a cerca de 30 metros de altura.

Buscamos responder perguntas complexas sobre composição e estrutura espacial da biodiversidade de insetos em uma floresta tropical amazônica. As cinco grandes questões do projeto são:

1 – Quantas espécies de insetos existem em uma área qualquer da Floresta Amazônica de cerca de 10 mil hectares, desde o solo até o dossel, a aproximdamente 30 metros de altura?

2 – Como a fauna de insetos, com suas inúmeras biologias, está distribuída tridimensionalmente até o dossel da floresta?

3 – Quais são os grupos de insetos em diferentes lados (interflúvios) dos grandes rios da Amazônia (Rio Negro e Rio Solimões), e quais grupos possuem substituição de espécies (turnover) entre os interflúvios?

Para complementar as amostragens na área de estudo, uma grande Expedição (BioInsecta/BioDossel) foi realizada em novembro de 2024 para a coleta de insetos em ambientes particulares da floresta — cursos d´água e proximidades, no solo, próximo a plantas específicas.

4 – Quanto a fauna do dossel é diferente dos insetos próximos ao solo, e como foi sua evolução com o surgimento das florestas de angiospermas?

O BioInsecta é realizado em uma área de cerca de 10 mil hectares na Reserva Biológica ZF2 (Estação Experimental de Silvicultura Tropical), do INPA, a cerca de 80 km ao norte de Manaus, na Amazônia Central.

5 – Como podemos usar os resultados que serão revelados sobre a complexidade e diversidade da fauna de insetos e de suas biologias para ajudar a conservar a floresta em pé e em sua restauração?

Utilizamos um sistema de armadilhas inovador (“cascata de armadilhas”) que consiste em um conjunto de cinco armadilhas do tipo Malaise modificadas, dispostas verticalmente na floresta. A cascata de armadilhas permite a amostragem em cinco estratos da floresta: solo (0-2 m); sub-bosque (7-9 m); dossel inferior (14-16 m); dossel médio (21-23 m); e dossel superior (28-30m). Cerca de dois milhões de exemplares de insetos devem ser coletados ao longo de 14 meses do estudo entre julho de 2024 e setembro de 2025.

Outro componente central da pesquisa é o uso de tecnologias inovadoras de sequenciamento de DNA em grande escala (DNA barcoding e MinIOn) combinadas a dados morfológicos (taxonomia integrativa e triagem reversa), que permitem a identificação rápida e precisa de espécies e o reconhecimento de novas espécies, diminuindo os custos de grandes inventários de biodiversidade.

Mais de 15% (320 mil insetos) do total de insetos coletados na Reserva Biológica ZF2 terão um trecho de seu material genético sequenciado — o gene citocromo oxidase I (DNA barcoding).

O BioInsecta é apoiado pelo Programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) através do projeto “Biodiversidade de insetos em uma floresta tropical amazônica: riqueza de espécies, estrutura vertical e turnover faunístico”, pelo Programa de Capacitação em Taxonomia (PROTAX) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e está sediado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, SP.