O BioInsecta e o BioDossel foram construídos inspirados em três outros estudos de biodiversidade em grande escala. O primeiro estudo foi realizado em Cingapura. Entre 2012 e 2019 foram coletados insetos com armadilhas Malaise em ambientes de mangue e diferentes tipos de floresta. Foi um trabalho pioneiro na coleta e sequenciamento de DNA em grande escala, com o sequenciamento de 140 mil indivíduos para o trecho do DNA conhecido como DNA barcode (gene citocromo oxidase I). O estudo reconheceu cerca de 8.500 espécies e foi publicado em 2021.
O segundo estudo foi realizado na Costa Rica, e coletou insetos durante um ano em uma área de floresta. Com a criação de uma grande equipe de mais de 60 especialistas de várias partes do mundo, foi possível identificar todas as espécies de moscas e mosquitos, de todas as famílias da ordem Diptera, para o material coletado. Os resultados revelaram mais de 4.300 espécies, e uma estimativa da existência de cerca de 8 mil espécies apenas da ordem Diptera na área de estudo.
Finalmente, em Manaus, o professor José Albertino Rafael (INPA) que coordena o projeto BioDossel, desenvolveu um método para a coleta sistemática de insetos não apenas no nível do solo, como nos dois estudos citados, mas também em mais quatro extratos (andares) da floresta chegando até a copa das árvores a 30 metros de altura. Grandes armadilhas de coleta do tipo Malaise modificadas foram montadas utilizando as plataformas de uma torre meteorológica na Reserva Biológica ZF2 do INPA. O estudo foi publicado em 2022. Quase 40 mil insetos foram coletados com esse sistema de armadilhas em apenas 14 dias.
A participação do professor Dalton S. Amorim (USP) nesses estudos permitiu a elaboração em colaboração com o professor Rafael, dos projetos BioInsecta e BioDossel, que são ainda mais abrangentes e incorporam elementos dos três estudos, além de trazer mais algumas inovações.





