
Vivemos a sexta extinção em massa de espécies devido a causas antrópicas (desmatamento e degradação de ecossistemas, poluição e mudanças climáticas), com taxas de extinção de espécies de “ao menos dezenas de centenas de vezes maior do que a média ao longo dos últimos 10 milhões de anos” da história do planeta, segundo relatório da Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, 2019).
A perda de biodiversidade agrava a emergência climática global, e a proteção e restauração da biodiversidade é reconhecida como uma solução indispensável para o enfrentamento e mitigação das consequências das mudanças climáticas.
A biodiversidade é subjacente a todas as atividades da sociedade globalmente, e um relatório da seguradora gigante suíça Re indica que mais da metade do PIB global é moderada ou altamente dependente de serviços ecossistêmicos fornecidos pela biodiversidade (Swiss Re Institute 2020).
A despeito da enorme preocupação com perdas aceleradas de biodiversidade, no entanto, há um volume extremamente limitado de dados disponíveis sobre as reais dimensões e a composição (identidade) da diversidade biológica, em particular em florestas tropicais e especialmente para os insetos.
Mesmo com 250 anos de estudo da diversidade na literatura científica mundial e avanços significativos nas últimas décadas, ainda não há uma boa resposta para quantas espécies de insetos existem em uma área delimitada de floresta tropical. As principais estimativas podem variar entre 5 e 10 vezes.
Os insetos representam quase 60% das espécies conhecidas do planeta, considerando toda a diversidade já reconhecida entre plantas, fungos e animais. Compreendem 73% (91 mil espécies) da diversidade de espécies de animais (125 mil espécies) registradas para o Brasil, o que representa 8,4% da diversidade mundial conhecida de insetos (1,1 milhão de espécies), de acordo com o Catálogo Taxonômico da Fauna Brasileira (2023).
Além de serem o grupo mais diverso e abundante da maioria dos ecossistemas terrestres, os insetos desempenham inúmeros papéis ecológicos que são essenciais para a sobrevivência e continuidade das florestas tropicais como a polinização de mais de 70% das espécies de árvores, na decomposição da matéria orgânica morta, na ciclagem de nutrientes e no equilíbrio das cadeias alimentares.
A Amazônia compreende cerca de 2/3 das florestas tropicais com aproximadamente 700 milhões de km2 e guarda a maior biodiversidade terrestre do planeta, mas já perdeu 25% de sua cobertura original, e 40% da área de floresta remanescente encontra-se degradada. Com a perda acelerada de espécies e ecossistemas, somada ao risco de colapso da Amazônia nas próximas décadas, decorrente de uma combinação entre desmatamento, degradação, fragmentação e mudança climática, acelerar os estudos de grande escala para revelar e monitorar a biodiversidade são urgentes.
Estudos de larga escala da biodiversidade de insetos que permitam dimensionar e compreender a distribuição da diversidade biológica, em particular em ambientes pouquíssimo estudados como a copa das árvores das florestas tropicais, como o BioInsecta, são de extrema importância para fornecer dados que embasem programas e estratégias para a proteção e restauração das florestas.
A proteção e restauração da Amazônia para que a floresta não atinja um ponto de colapso também depende da conservação dos insetos!
