Além da importância incalculável em termos da diversidade que será revelada para a Amazônia, esse será um banco de dados muito útil para daqui a seis, dez anos, fazermos novas coletas e vermos qual o impacto do aumento da temperatura, da diminuição de chuvas e das queimadas na população dos insetos em áreas ainda preservadas da Amazônia.

Dr. José Albertino Rafael, Coordenador do BioDossel (INPA)

Se mais da metade da biodiversidade de insetos da floresta não está próxima do solo, como isso impacta as estratégias de silvicultura, extrativismo sustentável, demarcação de território dos povos originários, implantação de sistemas agroflorestais? Os dados gerados no projeto ajudarão a delinear novas soluções, e os próprios estudos de biodiversidade devem ter seus protocolos refeitos, em função de novas soluções para coleta no dossel e do uso da biologia molecular para estudos de biodiversidade de grande escala

Dr. Dalton Souza Amorim, Coordenador do BioInsecta (USP)

Em alguns meses já foi produzido um volume relativamente grande de dados. Obviamente, ainda há uma quantidade significativa a ser produzida, mas os resultados já são bastante expressivos. Essa experiência de ver o processo, de fato, andando, e ter sido colocado em prática aquilo que foi planejado no começo do projeto também é bastante gratificante!

Dr. Marco Marinho, Coordenador de sequenciamento (UFPel)

Entre as diversas perguntas que serão respondidas, a mais importante para mim é: quantas espécies de insetos ocorrem em um ponto da Floresta Amazônica? Até hoje, não há uma resposta convincente, com uma amostragem ampla, vertical e sazonal, como a que está sendo realizada. Para outras florestas tropicais, estima-se que cerca de 90% da fauna de hemípteros da família Cicadellidae seja desconhecida. A amostragem realizada pelos projetos poderá fornecer uma estimativa mais precisa do grau de desconhecimento que temos sobre a fauna amazônica. E, é claro, disponibilizar esses espécimes, para que os especialistas possam avançar na descrição de nossa biodiversidade! O BioInsecta e BioDossel resultarão na identificação de cerca de 600 mil espécimes, depositados em coleções biológicas nacionais, além de terem suas sequências de DNA barcode disponibilizadas em bases de dados públicas. Um verdadeiro testemunho de nossa biodiversidade!

Dra. Daniela Maeda Takiya (UFRJ), Coordenadora da ordem Hemiptera
Setembro de 2025

A ordem coleóptera, que inclui os besouros, compreende aproximadamente 40% das espécies de insetos, o que representa 1/4 das espécies de animais do mundo. Temos perto de 200 anos de estudos em diversidade de insetos da Amazônia, mas por questões metodológicas, sempre foi muito difícil fazer estudos dos insetos associados às partes mais altas da floresta. Com o BioInsecta/BioDossel, vamos conseguir obter um tipo de informação que só foi possível há muito pouco tempo e, pela primeira vez, vamos obtê-las de maneira bem padronizada, de modo que poderemos saber quais espécies estão associadas a quais alturas dentro da estrutura vertical das florestas na Amazônia brasileira. Sobre espécies novas, é claro que vão aparecer espécies novas, e vão ser muitas!

Dr. Fernando Vaz de Mello (UFMT), Coordenador da ordem Coleoptera e do INCT-INCol
Julho de 2025

Na Amazônia, há atualmente 34 espécies de cecidomiídeos (ordem Diptera), o que representa 0,5% do total conhecido da família para o Brasil. Com as inovações metodológicas dos projetos BioInsecta/BioDossel aplicadas à fauna da Amazônia, e considerando os resultados preliminares do BioInsecta para a família, as estimativas são de que haja mais de 20 mil espécies de cecidomiídeos neste bioma. Desta forma, espera-se aumentar a velocidade de descrição de espécies novas de cecidomiídeos, melhorando a compreensão de sua diversidade no Brasil, além de propiciar a formação de sistematas capazes de atuar no contexto da taxonomia integrativa no país.

Dra. Virginia Urso-Guimarães (UFSCar), Coordenadora da família Cecidomyiidae
Agosto de 2025