Amostragens/Coletas

Criamos um sistema integrado de cinco armadilhas (Malaise) modificadas e interconectadas verticalmente em uma “cascata”, que permite a amostragem em grande escala da diversidade de insetos em todos os estratos da floresta, até a copa das árvores (dossel), a 30 metros ou mais. Essa é uma alternativa que permite superar uma antiga limitação metodológica — o estudo sistemático de insetos na copa das árvores e o reconhecimento da organização da distribuição vertical dessa diversidade na floresta. Contagens preliminares indicam uma média de 59 mil insetos coletados (nas cinco armadilhas) por cascata em cada localidade que estamos estudando, a cada duas semanas. A estimativa é que em 14 meses de amostragens sejam coletados mais de 5,5 milhões de insetos nas três áreas de estudo.

Sequenciamento de DNA e Taxonomia Integrativa

Utilizamos tecnologias inovadoras de sequenciamento de DNA em grande escala (DNA barcoding e MinIOn) combinadas a dados morfológicos (taxonomia integrativa e triagem reversa), diminuindo o tempo e os custos para grandes inventários de biodiversidade, e aumentando a precisão da identificação e o reconhecimento de novas espécies. Cerca de 500 mil exemplares terão um trecho de seu DNA sequenciado (gene citocromo oxidase I) conjuntamente pelo BioInsecta e BioDossel. Os resultados preliminares indicam o reconhecimento de mais de 50 mil espécies em apenas um dos locais estudados, das quais mais de 95% compreendem novas espécies.

Ecologia e Estatística

Sendo o primeiro estudo de estratificação vertical da fauna em uma floresta tropical, é essencial conhecer a porcentagem de espécies que são encontradas apenas acima do nível do solo (> 2 m), entender quais recursos florestais são usados pelos diferentes grupos de insetos desde o solo até a copa das árvores, e o efeito da sazonalidade na diversidade dos insetos. A composição dos grupos taxonômicos que vivem na copa das árvores também será revelada, e ao final dos projetos BioInsecta e BioDossel, conheceremos os padrões de distribuição vertical, temporal e geográfica de diversidade, e o grau de substituição (turnover) da fauna em diferentes grupos de insetos entre três grandes rios na Amazônia. Os dados obtidos permitirão análises de modelagem ecológica para a compreensão do fluxo trófico e da organização das diferentes guildas de insetos na floresta.

BioInformática e Ciências da Computação

O sequenciamento de cerca de 500 mil insetos (DNA barcoding) dos projetos BioInsecta e BioDossel produzirá um gigantesco volume dados, que por sua vez possuem grande quantidade de informações associadas — data de coleta do espécime, local, altura na floresta, identificação taxonômica dos exemplares. A bioinformática permitirá analizar as sequências de DNA obtidas para revelar o agrupamento dos indivíduos supostamente da mesma espécie e a comparação com as sequências de DNA disponíveis em bancos de dados internacionais (genBank e BOLD) para a identificação das espécies. A ciência da computação será fundamental para a criação de um grande banco de dados que permitirá armazenar e organizar os resultados das sequências de DNA com as respectivas informações associadas (data, localidade e altura na floresta do espécime coletado; identificação dos exemplares nos vários níveis taxonômicos (ordem até espécie).

Educação e Divulgação Científica

A presença dos insetos na cultura é observada em lendas, mitos, e histórias que as pessoas contam, revelando uma relação de proximidade entre as pessoas, os insetos, e a biodiversidade de modo geral — floresta, conservação, povos indígenas. A partir da valorização da importância dos diferentes conhecimentos na sociedade — cultura, povos tradicionais e ciência —, desenvolvemos as atividades de educação e divulgação científica do BioInsecta buscando a integração desses saberes com os conhecimentos sobre os insetos e a biodiversidade revelados no projeto, fortalecendo a luta pela conservação da entomofauna, a proteção da floresta em pé e sua restauração.