Um grande estudo da biodiversidade de insetos em uma floresta começa com a amostragem intensiva de espécimes (indivíduos). Mas uma antiga limitação metodológica impedia a amostragem de insetos em grande escala nos estratos (“andares”) superiores das florestas, até a copa das árvores, que em uma floresta como a Amazônia está a 30 metros de altura ou mais.

As alternativas disponíveis dependem da existência de grandes estruturas como torres de aço ou gruas, muito caras e raramente disponíveis; ou de métodos que são eficientes apenas para a coleta de grupos específicos de insetos, e que acabam resultando em perda da informação de como os grupos de insetos estão distribuídos verticalmente na floresta.

A solução para superar essa limitação foi a criação de um sistema integrado de armadilhas do tipo Malaise modificadas (Gressit & Gressit), interconectadas em uma “cascata” e suportadas por cordas e polias.

As armadilhas do tipo Malaise são um dos meios mais eficazes de coleta em grande escala (espacial e temporal). Montadas no ambiente e mantidas em períodos de tempo variável, interceptam os insetos em voo —, permitindo a coleta de milhares de indivíduos em poucos dias.

À direita é mostrada uma Malaise tradicional, posicionada em contato com o folhiço, permitindo a coleta de insetos entre a sua base até próximo a parte superior da tenda, a cerca de 2 metros. A armadilha consiste de uma “tenda” de telas em náilon, com paredes laterais e uma barreira central, sustentada por cordas presas a estacas ou árvores.

A “cascata” de armadilhas que utilizamos foi desenvolvida pelo prof. José Albertino Rafael do INPA e parte da equipe do BioDossel, em parceria com o BioInsecta, sendo o principal método de coleta dos projetos. As coletas começaram em julho de 2024 e se estenderão até setembro de 2025, compreendendo um período de 14 meses.

Cada armadilha da cascata possui um comprimento de 4,5 metros e 2 metros de altura, com dois recipientes coletores, um em cada lateral superior.
Uma árvore emergente com altura entre 40 e 50 metros, acima da altura média do dossel, é usada para içar e suportar a cascata. A cascata utiliza cinco armadilhas dispostas verticalmente em intervalos regulares, permitindo a coleta de insetos próximos ao nível do solo (0-2 m), no sub-bosque (7-9 m), e em três estratos do dossel — dossel inferior (14-16 m), dossel médio (21-23 m), e dossel superior (28-30 m).

A cascata de armadilhas permanece montada durante todo o período de coleta do projeto, e a cada duas semanas (14 dias) as amostras dos insetos coletados nos cinco estratos da floresta são recolhidas por uma equipe de pesquisadores.

Contagens preliminares apontam uma média de 59 mil insetos coletados (nas cinco armadilhas) por cascata em cada localidade que estamos estudando, a cada duas semanas. É estimada a coleta de cerca de 1.85 milhões de insetos em cada local de estudo, e mais de 5 milhões e 500 mil insetos em todo projeto BioInsecta/BioDossel.