A identificação do material coletado tradicionalmente segue quatro etapas sucessivas de identificação de grupos taxonômicos maiores para menores (ordens), famílias, até gêneros e espécies, demandando um grau de especialização cada vez maior dos pesquisadores na últimas etapas. A etapa inicial de triagem é um grande gargalo para estudos de biodiversidade de insetos, sendo denominado de impedimento taxonômico devido ao obstáculo que representa em termos de tempo e custo envolvidos.
A partir dos anos 1980 as técnicas de sequenciamento de DNA trouxeram acesso a informação adicional para o reconhecimento de espécies, mas não resolveu o problema de agilidade para inventariamento em larga escala já que o sequenciamento ainda era feito apenas para grupos selecionados após a lenta triagem inicial (ordens e famílias).
O BioInsecta utiliza a taxonomia integrativa combinando dados morfológicos e moleculares, mas com uma abordagem e metodologia alternativa, a “triagem reversa”, em que primeiro os exemplares das amostras selecionadas são sequenciados para o fragmento de DNA mitocondrial citocromo oxidase I (COI), popularmente conhecido como “DNA barcoding”, para delimitação preliminar de espécies com base em dados moleculares.
Com os dados de barcoding, os exemplares são fisicamente reunidos em unidades taxonômicas operacionais moleculares (MOTUs), que, na maioria dos casos, correspondem a espécies. Especialistas identificam grupos maiores (ordens e famílias) de exemplares individualizados fisicamente e já sequenciados, enviando-os para os especialistas de cada família que validam a identificação ao nível de gêneros e espécies com o uso de informações morfológicas.
Com os exemplares já reunidos em clusters (conjuntos de exemplares que correspondem a uma mesma espécie), a identificação de um único exemplar do cluster às vezes pode representar a identificação de centenas ou até milhares de espécies.
Essa metodologia elimina o longo processo inicial de triagem (identificação de ordens e famílias), e a necessidade de identificação das espécies, uma‐a‐uma, para cada um dos exemplares, adotada nos estudos taxonômicos tradicionais, reduzindo enormemente o tempo e os custos de processamento (triagem e análise de material), e aumentando a precisão da identificação de espécies em cada grupo taxonômico.
O BioInsecta realizará o sequenciamento do DNA (barcoding) de 320 mil insetos coletados na Reserva Biológica ZF2 do INPA, que representam mais de 15% da amostragem total que será coletada no local ao longo de 14 meses (estimada em 1.85 milhões de exemplares nos cinco estratos da floresta). Os resultados do sequenciamento dos primeiros 55 mil exemplares na Reserva Biológica ZF2 indicam que devem ser reconhecidas mais de 50 mil espécies de insetos apenas nesse local de estudo, em uma área estimada em cerca de 10 mil hectares. A diversidade conhecida atualmente no Brasil é de 91 mil espécies de insetos descritas.
