Se você já sabia que a biodiversidade da Amazônia é enorme, saiba agora que ela é bem maior ainda do que você imaginava. Em um estudo pioneiro, cientistas colocaram armadilhas para capturar insetos ao longo de vários andares de uma torre de 53 metros no meio da floresta amazônica, próxima a Manaus. Duas semanas depois, voltaram para ver o que tinham coletado e o resultado foi impressionante: quase 38 mil insetos, de 18 ordens diferentes, incluindo moscas, abelhas, besouros, borboletas e outros grupos menos conhecidos do grande público, mas de grande importância para o equilíbrio ecológico da floresta. Mais surpreendente ainda foi a distribuição vertical dessa biodiversidade: quase 70% dos insetos foram coletados acima dos 8 metros de altura, e cerca de 90% deles são de espécies ainda não descritas pela ciência.“É como se tivesse um outro continente acima das nossas cabeças”, diz ao Jornal da USP o entomólogo (especialista em insetos) Dalton de Souza Amorim, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Ele é o primeiro autor do trabalho que descreve os achados do experimento, publicado em 2 de fevereiro na revista Scientific Reports, em colaboração com diversos colegas do Brasil e do exterior. “Mais da metade da fauna de insetos está lá em cima, no topo das árvores”, resume ele, num misto de empolgação e admiração pelo que descobriu. “Acima de 32 metros é uma loucura; aquilo lá é uma avenida.”
Leia o texto completo aquiEstudo capturou e catalogou pela primeira vez milhares de espécies de moscas, besouros e outros invertebrados que vivem no topo das árvores da maior floresta tropical do planeta
Jornal da USP, fevereiro de 2022
Por Herton Escobar






