Por Leandro Magrini*
06 de janeiro de 2026
O Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB) é um dos mais importantes suportes para as análises de dados de grandes projetos de inventário da fauna em nosso país. Em nota técnica publicada no próprio boletim do CTFB (edição de setembro), os coordenadores de dois grandes projetos em andamento falam sobre a posição de destaque do Brasil na zoologia e apresentam o CTFB como um grande avanço na consolidação do conhecimento sobre a biodiversidade da fauna brasileira.
Os autores da nota são os professores Dalton de Souza Amorim (USP), coordenador do projeto BioInsecta (Biomonitoramento de Insetos em Florestas Tropicais), e José Albertino Rafael (INPA), que coordena o INCT-BioDossel (Insetos na Copa das Árvores).
Amorim e Rafael chamam a atenção para o lugar da Zoologia brasileira no mundo. Trata-se de uma das áreas mais importantes da ciência do Brasil em termos de produção (3a) e impacto (12a) em relação ao cenário internacional. Nesse contexto, consideram o CTFB um grande avanço que permitiu consolidar o conhecimento sobre a biodiversidade da fauna brasileira adquirido nos últimos dois séculos; a compreensão da velocidade de incremento na produção taxonômica de grupos particulares ao longo das últimas décadas, o que pode orientar políticas de investimento de órgãos financiadores; e revelar lacunas no conhecimento taxonômico e em relação aos biomas menos estudados, por exemplo.
Os autores também destacam que os dados quantitativos do CTFB permitem dimensionar o significado das descobertas de novas espécies para determinados grupos taxonômicos em projetos em andamento, como o BioInsecta e BioDossel, que realizam a coleta massiva de insetos em cinco estratos verticais na Floresta Amazônica, em três locais da Amazônia Central. Cerca de 7,5 milhões de exemplares devem ser coletados conjuntamente pelos projetos ao longo de 14 meses de amostragens, dos quais cerca de 600 mil espécimes devem ter um trecho de DNA barcode (gene citocromo oxidase I) sequenciado.
Considerando apenas os dados de 54 mil exemplares com DNA já sequenciado de uma das áreas sendo estudadas, a Reserva Biológica ZF2 do INPA, são apresentados e discutidos brevemente os resultados dos projetos para as 20 famílias de maior riqueza de espécies encontrada até o momento, revelando números impressionantes de novas espécies reconhecidas quando comparados ao conhecimento da diversidade desses grupos já disponível no CTFB.
A riqueza de espécies encontrada na Reserva ZF2 para os hemípteros (cigarras e percevejos) da família Aleyrodidae (301 espécies), por exemplo, corresponde a mais que o dobro de espécies já descritas para o país (148), enquanto que para a família com a maior riqueza de espécies encontrada até o momento, são 3.531 espécies de cecidomyiídeos da ordem Diptera (moscas e mosquitos), o que corresponde a quase 12 vezes o número de espécies descritas para o Brasil, e quase o mesmo número de espécies descritas para o mundo.
Por fim, Amorim e Rafael ressaltam o papel essencial do CTFB para uma compreensão rápida do significado dos avanços trazidos por grandes inventários da biodiversidade ao permitir uma comparação direta entre os resultados obtidos nesses projetos e a base de dados disponível no Catálogo (CTFB). Assegurar investimentos para a continuidade do Catálogo é fundamental e estratégico para a Zoologia brasileira!
A nota completa pode ser acessada aqui
*Leandro Magrini, doutor em Ciências/Biologia Comparada pela USP; bolsista Mídia Ciência/Jornalismo Científico nível pós-doutorado FAPESP.






